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sexta-feira, 31 de agosto de 2012

- Ana Jácomo.

“É fácil amar o outro na mesa de bar, quando o 
papo é leve, o riso é farto, e o chope é gelado. É 
fácil amar o outro nas férias de verão, no 
churrasco de domingo, nas festas agendadas no 

calendário de vez em quando.
Difícil é amar quando o 
outro desaba, quando 

não acredita em mais nada. E entende tudo 

errado. E paralisa. E se vitimiza. E perde o 

charme. O prazo. A identidade. A coerência. O 

rebolado. Difícil amar quando o outro fica cada 

vez mais diferente do que habitualmente ele se 

mostra ou mais parecido com alguém que não 

aceitamos que ele esteja. Difícil é permanecer ao 

seu lado quando parece que todos já foram 

embora, quando as cortinas se abrem e ele não 

vê mais ninguém na platéia. Quando o seu 

pedido de ajuda, verbalizado ou não, exige que 

a gente saia do nosso egoísmo, do nosso 

sossego, da nossa rigidez, do nosso faz-de-conta, para caminhar humanamente ao seu 
encontro. Difícil é amar quem não está se amando. Mas esse talvez seja, sim, o tempo em que o outro mais precisa se sentir amado. Eu não acredito na existência de botões, 
alavancas, recursos afins, que façam as dores mais abissais desaparecerem, nos tempos mais devastadores, por pura mágica. Mas eu 

acredito na fé, na vontade essencial de transformação, no gesto aliado à vontade, e, especialmente, no amor que recebemos, nas 


temporadas difíceis, de quem não desiste da gente.”


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